Casal Hope lembra ministério em Palmas

Benjamim e Berta Hope, casal de missionários americanos, vieram para o Tocantins em 1991 e, durante quase 10 anos cooperaram com o trabalho dos batistas na capital e em Araguaína

Vocacionado a trabalhar entre os brasileiros, o casal Hope veio dos Estados Unidos para o Brasil em 1968 e investiram seus últimos anos no país e no Tocantins, especialmente em Palmas, onde estimularam a mordomia e o auto-sustento nas igrejas.

Eles estiveram durante cinco anos na Primeira Igreja Batista de Palmas – PIB, depois Berta foi para Terceira Igreja e o pastor Benjamim para Sibapa. Dentre os diversos trabalhos realizados em quase 10 anos de ministério na capital, o pastor Benjamim foi o responsável pela transformação de um ponto de pregação na Arne 51 e em uma congregação na quadra vizinha, Arne 61, que hoje é a Igreja Batista Boas Novas.

Depois de nove anos, o casal voltou ao Brasil e aproveitou para rever os amigos e o avanço das igrejas batistas em Palmas. Em entrevista ao Informativo Sibapa eles lembraram dos desafios dos primeiros anos da capital.

Por que vocês escolheram o Brasil como campo de atuação?

Benjamim: Nos sentimos vocacionados ainda adolescentes para missões, a Berta primeiro. Quando começamos a pensar em um lugar, ela já tinha contato com missionários no Brasil. Começamos a orar e Deus confirmou. Viemos para o Brasil em 1968, tínhamos dois filhos, uma menina de sete anos e um menino de um ano. Ficamos um ano em Campinas – SP, para estudar a língua. Depois fomos para o Mato Grosso, quando era um estado só: ficamos dois anos e meio em Campo Grande e 17 anos em Cuiabá. Tivemos um bom ministério lá; abrimos novas frentes, na época em que o governo estava estimulando a abertura da Amazônia, e presenciamos o crescimento de igrejas nas décadas de 70 e 80. Deus nos abençoou grandemente.

Quando vieram para o Tocantins?

Benjamim: O pastor Samoel Martim recebeu o convite para ser secretário executivo da Junta de Missões Nacionais – JMN no Tocantins e nos convidou para fazer parte de sua equipe. Viemos com mais dois casais de brasileiros. Nos mudamos no final do ano de 1991.

Berta: A primeira vez que viemos em Palmas foi em abril de 1990. O Palácio Araguaia estava em construção e não tinha mais nada, só mato e máquinas trabalhando. Chegamos na hora do almoço e não achamos restaurante ou lanchonete; só tinha um rapaz vendendo cachorro-quente numa bicicleta. Comemos com muita gratidão e tomamos coca-cola quente (risos). Mas começamos a gostar da ideia. Moramos durante dois anos em Araguaína, cooperando na Segunda Igreja de lá e trabalhando na Junta, porque meu serviço desde o início foi como coordenadora do escritório da JMN. Quando mudamos para Palmas, a Junta ainda não tinha um prédio, então oferecemos parte da nossa casa e ficou lá quase quatro anos. Hoje, vemos o prédio da Convenção Batista no Tocantins – CBT que nos deixa muito felizes.

O trabalho de vocês não foi plantação de igrejas. Qual foi então?

Benjamim: Já tinham várias igrejas no Estado, então sentimos que o nosso trabalho inicial seria o de estimular a mordomia e o auto-sustento, porque as igrejas eram muito dependentes da Junta de Missões. Então, eu fiquei muito tempo falando e pregando sobre dízimos, incentivando as igrejas a sustentarem seus pastores. Quando a primeira igreja foi organizada em Palmas, o secretário executivo da JMN, pastor Oliveira de Araújo, deu um desafio para nós, ele disse: “A primeira igreja é muito boa, mas eu desafio vocês a terem 10 igrejas em 10 anos”. Naquela época, Palmas não tinha mais que 20 mil habitantes e parecia uma coisa impossível. Mas Deus abençoou. Vieram obreiros, veio povo e, em nove anos, quando nós saímos para nos aposentar, ficaram 12 igrejas, 11 delas com templo próprio, todas com pastor e fomos muito abençoados no sentido de ter visto esse tanto de igrejas crescerem e nos alegramos agora em saber que tem 18 igrejas e oito congregações em Palmas, isso é uma maravilha. Somos gratos a Deus por isso.

Pastor Benjamim, o senhor tem grande participação na história da igreja Batista Boas Novas, filha da Sibapa. Como começou esse trabalho?

Benjamim: O pastor Clécio tinha chegado a pouco tempo na Sibapa e eu não podia viajar mais, por causa da saúde. Então, eu comecei a procurar um lugar para engajar no serviço. Descobri que a igreja tinha um ponto de pregação na Arne 51 e disse “está bom! Eu vou lá ver se posso ajudar”. O pastor Clécio viu que eu tinha interesse e disse “é a sua responsabilidade”. As reuniões aconteciam uma semana na casa da irmã Neta e outra em uma casa do outro lado da quadra. Eram praticamente dois pontos de pregação, porque o grupo era sempre diferente, com umas duas ou três exceções. Depois de um tempo, os grupos cresceram e pensei que deveríamos uní-los. Comecei a procurar um prédio e achei um bar que estava vazio e disse “vamos fazer a dedicação do prédio no sábado” e a igreja disse “não podemos, é um bar!”. Mas a congregação entrou pesado, eles limparam, pintaram, tiraram as teias de aranha e, no sábado, dedicamos aquele local a Deus. Depois um irmão pintou na frente Igreja Batista e o emblema da Convenção. Ficamos lá um tempo, depois a igreja comprou um terreno na Arne 61 e pedimos para um grupo de americanos nos ajudar a construir um templo. Eles estavam acostumados a construir um templo completo, com quatro paredes, telhado, bancos, púlpito, mesa para ceia. Mas o que precisávamos era de 21 colunas e não tinha nem máquinas para fazer as colunas. Aquele povo trabalhou no vento, na poeira e no calor do mês de julho para erguer as colunas. Depois o povo da igreja veio, fechou as paredes, colocou janelas e dedicamos essa primeira etapa. Então comecei a sentir que não estava mais dando conta. Quando começamos esse projeto, o pastor Eliziário me disse: “Ah, Benjamim, será que você tem fôlego para isso?” (risos). E eu descobri que realmente não tinha fôlego para fazer tudo o que era necessário. Então, a igreja convidou o pastor Orbásio para assumir. Ainda era congregação quando nós saímos, em julho de 2000, e damos graças a Deus por ter participado disso.

Durante todo esse tempo, como vocês perceberam o agir de Deus? Teve algum momento em que pensaram em desistir?

Berta: Sempre sentimos que Deus estava nos ajudando e nos guiando. Ele estava sempre nos dando oportunidades. Logo que chegamos, entramos como membros na primeira igreja e eu sou regente de coral, então organizamos um coral e, inclusive, algumas vezes apresentamos cantata de Natal com o coral da Sibapa. Também trabalhei como educadora religiosa e as oportunidades foram surgindo. Ficamos muito contentes aqui, foi o glacê de um bolo de 32 anos no Brasil e saímos daqui alegres, satisfeitos. Voltamos e vimos muita coisa que tem acontecido e ficamos até mais alegres por saber que estivemos ajudando no início de tudo.

Benjamim: É claro que como todo trabalho tinha seus altos e baixos, nem sempre era paz e tudo alegre. Mas em tudo sentimos que Deus estava nos orientando e que iria nos dar a vitória, e deu!

O que vocês diriam para as pessoas que têm chamado missionário?

Benjamim: Primeiro, prepara-te. Segundo, não espera até ter o preparo terminado para agir. Começa desde já a ser um missionário. Nós agimos em missões antes mesmo de casados. Quem se sente vocacionado deve engajar-se na obra imediatamente, participando de uma congregação, lecionando na escola dominical, aproveitando a oportunidade para pregar.

Berta: Ouvi dizer uma vez que se você não é missionário onde está, cruzar o oceano não vai fazer de você um missionário. Tem que começar onde está, vai aprendo lá e quando chegar o momento certo Deus vai te mandar para onde ele quer.

Como as pessoas podem ajudar um missionário?

Berta: Oração é muito importante. Se você perguntar para um missionário o que ele mais precisa ‘são as orações’. É bom lembrar que o missionário é uma pessoa como você. Se você tem um dia ruim, o missionário também tem. Se você se sente triste ou sem ânimo, às vezes o missionário também tem esses problemas. Além disso, o missionário tem a dificuldade da língua, de entender o pensamento do povo que é diferente da sua formação, mas Deus vai dando o que ele precisa. As pessoas precisam orar por tudo isso.

Benjamim: Eu acho muito importante que haja uma ligação entre as pessoas e o missionário. Ache um missionário, procure conhecê-lo, mantenha contato por e-mail, mande fotografias, peça fotos para ele também, peça que ele envie cartas mensalmente falando de suas necessidades, motivos de oração. Nós gostamos sempre de estimular a oferta para missões, porque grande parte do sustento do missionário vem do plano cooperativo, que é a oferta que a igreja envia todo mês. Agora, de vez em quando, uma caixa com aquelas coisas que o missionário não consegue comprar onde ele está, também é importante porque mostra carinho.

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membro da Sibapa, formada em jornalismo pela Ulbra.

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