Cidadania, política e fé cristã
O ano eleitoral é um momento para o debate e as decisões sobre os líderes, as políticas e os valores que nortearão nossa nação. Enquanto nos aproximamos das eleições de 2010, enfrentamos desafios difíceis para a nossa nação e para o mundo. Os desafios mais importantes que enfrentamos não são apenas políticos, econômicos ou tecnológicos, mas de ética, moral e espiritual.
Estamos diante de questões fundamentais da vida e morte, guerra e paz, que avança e que é deixado para trás. Nossa Igreja está também a trabalhar para curar feridas. Nossa comunidade de fé e especialmente nós, pastores, ministros e líderes de pequenos grupos, estamos trabalhando para assumir a responsabilidade e tomar as medidas necessárias para superar as deficiências que a estrutura religiosa, ou melhor, eclesiástica histórica, nos legou e nos esforçamos para uma nova leitura, dinâmica e eficaz de pastoreio baseada em relacionamentos.
Por isso, enquanto trabalhamos por um relacionamento saudável interno, não devemos abandonar o papel importante da Igreja na vida pública e o dever de encorajar os cristãos a agirem em nossa fé na vida política.
Muitos cristãos não gostam de política. Para eles, “política e religião não combinam”. No entanto, essa aversão à política não se coaduna com a fé cristã nem com o exercício da cidadania. Quando o cristão se afasta do cenário político, além de renunciar aos seus direitos de cidadão, favorece aqueles que, sob o argumento do “estado laico”, querem afastar os religiosos das decisões mais importantes para o país. Como exemplo, temos a discussão do Projeto de Lei 1151/95, que visa legalizar a União Civil entre pessoas do mesmo sexo no Brasil, ou até mesmo o Projeto de Lei 2.654/03 que impede a palmadinha no filhinho que precisa entender os limites da educação doméstica.
Tenho defendido, como líder de uma comunidade religiosa, a necessidade dos cristãos evangélicos retomarem a consciência sobre o seu mandato cultural e assim promover redenção social para que a fé construa em cada sociedade o significado pleno de Reino de Deus. A política também é uma forma de evangelizar, e os cristãos devem atuar como fermento na massa para construir uma sociedade de acordo com o projeto de Deus.
Assim, participação política é parte da vida cristã, pois os cristãos, tal como Jesus, precisam desafiar as injustiças, contribuindo para a construção de uma sociedade verdadeiramente justa e solidária. Essa contribuição se dá através de idéias e ações capazes de aumentar as oportunidades e melhorar a distribuição das riquezas produzidas pelo País. Também se concretiza no voto consciente, na fiscalização do mandato dos políticos eleitos e até na candidatura aos cargos políticos, como forma de promover o bem comum.
Sou dos poucos líderes religiosos que pregam separação Estado – Igreja, mas estou ciente de que sociedade laica não significa sociedade sem fé. Prova disso é que a Constituição Federal do Brasil foi promulgada “sob a proteção de Deus”. A Igreja reconhece que não cabe a ela, enquanto instituição, se fazer substituta ao Estado. Mas também ensina que lutar por uma sociedade justa e solidária, mediante uma constante atuação política, compete a todos os cidadãos, inclusive aos cristãos.
Hoje, mais do que nunca, somos como cristãos (evangélicos ou não) conscientes de que cidadania plena e responsável legitima nosso cristianismo. A fé cristã exige uma cidadania responsável, pois segundo os ensinamentos bíblicos somos mordomos de Deus nesta terra. Por isso na hora de votar, de escolher um candidato, a relação Fé, Cidadania e Politica mesclam-se numa reflexão norteadora quanto ao futuro da nossa nação. E pesa muito!
Acredito em princípios que revelam nosso caráter cristão e que norteiam-nos na verdade libertadora de um Cristão presente no contexto pessoal e social. Não consigo ver cristãos votarem em candidatos que são defensores do aborto, da eutanásia, ou do divórcio, ou que desejam retirar do nosso povo a liberdade religiosa e o nosso direito de expressar a nossa fé no ambiente de trabalho ou em qualquer outro de forma pública. Jamais votaria em pessoas que defendem o homossexualismo e que estimulam a juventude a terem experiências sexuais de forma precoce e imatura.
Não defendo este ou aquele candidato e vai ser muito difícil você me ver defendendo determinada pessoa em uma eleição. Porque defendo o direito de pensar. Eu defendo e sempre defenderei a Igreja. Mas acredito que os cristãos, a Igreja devem ser voz profética para que o Estado cumpra o seu papel. Por isso devemos exercer a nossa cidadania de forma responsável e participativa. Só assim daremos a nossa contribuição para uma sociedade mais justa e com menos desigualdades. Precisamos votar conforme os princípios da fé cristã e apoiarmos autoridades que tenham princípios compatíveis com um genuíno cristão. Acredito na expressão “Feliz é a nação cujo Deus é o Senhor”.


