Misericórdia – Setenta vezes sete
Então Pedro aproximou-se de Jesus e perguntou: “Senhor, quantas vezes deverei perdoar o meu irmão quando ele pecar contra mim? Até sete vezes?” Jesus respondeu: “Eu lhe digo: Não sete, mas até setenta vezes sete.” (Mateus 18:21)
Estando Jesus em casa, foram comer com ele e seus discípulos muitos publicanos e “pecadores”. Vendo isso, os fariseus perguntaram aos discípulos dele: “Por que o mestre de vocês come com publicanos e pecadores?” Ouvindo isso, Jesus disse: “Não são os que tem saúde que precisam de médico, mas sim os doentes.” Vão aprender o que significa isso: “Desejo misericórdia e não sacrifícios.” Pois eu não vim chamar os justos, mas pecadores.” (Mateus 9:10-13)
1. Perdão vai além dos mesquinhos cálculos humanos.
Até sete vezes? Pedro quis ser generoso, pois as tradições dos rabinos, falavam em perdoar até três vezes. A resposta de Jesus, tomando-se em consideração o que Pedro disse, significa que o espírito de perdão no coração daquele que em Cristo é nova criatura vai além dos mesquinhos cálculos humanos. Deus perdoou tantas coisas ao nos conceder o dom gratuito da Salvação em Cristo, que qualquer ofensa que outro ser humano possa praticar contra nós, é irrisória, em comparação à Sua graça. Perdoar é o mínimo que podemos fazer, quando refletimos sempre acerca da bondade divina que tem sido derramada em nossa vidas.
2. A exigência do Perdão se baseia na natureza da oração na igreja. (Mateus 6:14-15)
Jesus deixa claro a onipotência da oração em nome de Cristo, ou seja, pleno perdão entre todos os membros é o que desencadeia a graça de Deus entre o seu povo. Devemos nos lembrar de perdoar as pessoas que nos devem (bens materiais ou justiça) com a mesma misericórdia e generosidade com que Deus nos perdoa sempre. Observemos como Jesus ressalta a importância do perdão no Reino de Deus. Em todas as versões bíblicas, fica claro que o perdão tem o poder de absolver o homem que feriu e o homem que foi ferido, trazendo assim a manifestação da cura na alma do homem.
3. O Perdão é a voz dos que aprenderam a linguagem do amor.
O texto de Mateus 9:10-13 registra que os empedernidos judeus quiseram insinuar que esta prova de misericórdia de Cristo era sinal que Ele se sentia em boa companhia com os pecadores. Eles, com tanto medo de se deixar contaminar, julgaram estas pessoas como que sendo desprezadas por Deus. Naquele momento, Jesus ensina-nos que o maior e mais agradável sacrifício (holocausto) para Deus é o nosso amor sincero, sem restrições e em plena fé. A enfermidade da qual todos padecemos, inclusive muitos religiosos e líderes cristãos (como era o caso dos fariseus – sacerdotes judaicos), é a distância do mais verdadeiro e puro amor (em grego, ágape) ao Senhor (I João 4:16) e aos nossos semelhantes. Jesus pede que os doutores em teologia, filosofia, direito e ética da época, voltem-se às escrituras, leiam atentamente Oséias 6:6 especialmente na edição grega do Antigo Testamento, a Septuaginta (cerca de 260 a.C.), e entendam que Ele não estava compactuando com o pecado, mas salvando todos aqueles que o reconhecerem como o Messias, o Filho de Deus.
Conclusão:
Somos humanos e essa humanidade é completamente compreendida por Deus que é Pai de misericórdia. No entanto, recebemos uma natureza nova em nós por meio da Fé, ou seja a natureza dos ensinamentos daquele que nos ensinou a amar e perdoar – Jesus é nosso Salvador e também nosso referencial de humanidade. Esse Jesus conhece os pensamentos dos homens e é lá, nos pensamentos, que acontece o verdadeiro perdão – “Todas as coisas estão descobertas e patentes aos olhos daquele a quem temos de prestar contas” (Hebreus 4.13).

